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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Explosão de Foguete no Maranhão Afeta Etapa do Programa Espacial

Trago agora para você uma interessante matéria postada dia (28/11) no site do jornal “O VALE”, matéria esta que confesso havia me passado, mas que vem demonstrar o receio da comunidade científica quanto à continuidade do Projeto SARA.

Explosão de Foguete no Maranhão
Afeta Etapa do Programa Espacial

Para comunidade científica em São José, principais riscos são o
possível atraso no cronograma e a perda de gente especializada

São José dos Campos
November 28, 2015 - 00:37

Lançamento do VS-40M para teste.

A explosão do foguete não tripulado VS-40M, no último dia 13 de novembro, pode prejudicar o andamento do Programa Espacial Brasileiro.

Para membros da comunidade científica em São José, as principais consequências do acidente podem ser um atraso no cronograma do programa e a perda de profissionais experientes.

Uma falha no motor do foguete causou a explosão do equipamento, que seria lançado no Centro de Lançamento de Alcântara, no litoral do Estado do Maranhão.

A operação contava com organizações militares do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), de São José.

O objetivo do lançamento do VS-40M era testar, em voo suborbital, o Sara (Satélite de Reentrada Atmosférica), plataforma destinada a experimentos no espaço. Era o primeiro de quatro testes.

Estimativa do Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial aponta para um prejuízo de cerca de R$ 18 milhões com a explosão. Uma investigação foi aberta para apurar o acidente em Alcântara.

“Explosão traz prejuízos econômicos para União, que perdeu o primeiro protótipo de voo do Sara, sete toneladas de combustível e um foguete”, disse Gino Genaro, funcionário do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e secretário de comunicação do sindicato.

“Para nós, porém, muito além do prejuízo financeiro, o risco é não saber quando serão as novas tentativas.”

Risco. Genaro lembrou do episódio do VLS (Veículo Lançador de Satélites), que também explodiu em Alcântara e causou a morte de 21 técnicos e engenheiros de São José, em agosto de 2003.

Segundo o secretário, o governo federal previa relançar o VLS dois anos após o acidente, ou seja, em 2005, mas o veículo não foi lançado até hoje. “Isso é muito pior do que a falha do foguete. É o atraso no Programa Espacial”, afirmou.

“Deve-se descobrir qual foi o erro dentro de um prazo que não pode demorar mais do que um ano, e podendo lançar o Sara com o VS-40 logo depois. Mas se tiver que esperar mais 10 anos para uma nova tentativa estaremos no fundo do poço do Programa Espacial.”

Outro problema apontado pelo especialista é na dissolução de equipes experientes se o projeto demorar anos para ser retomado.

“Se o próximo lançamento demorar anos, a equipe não será a mesma e a pessoa que entrou no meio do caminho pode perder a experiência daquele que saiu.”

Sindicato quer alternativas para manter programa

São José dos Campos - O Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial realizou na última quinta-feira, no INPE, em São José dos Campos, o debate “Análise e alternativas para o Programa Espacial Brasileiro”.

Participaram do encontro cerca de 120 pessoas, boa parte delas da comunidade científica da região, incluindo funcionários do INPE.

Eles discutiram vários temas, entre eles a revisão do modelo de governança para as atividades espaciais no Brasil, que poderá impactar diretamente na gestão do INPE.

Portaria interministerial publicada neste ano revê a forma como é realizada ciência e a tecnologia no país, incluindo a alteração no modelo de governança, que poderá ser feito por meio de uma OS (Organização Social), e não mais com funcionários concursados.

Para o sindicato, a proposta sugere a privatização de institutos de pesquisas. “O INPE é a cereja do bolo. Querem precarizar e trazer solução milagrosa, que em geral seria uma OS”, disse o presidente do sindicato, Ivanil Elisiário Barbosa.


Fonte: Site do Jornal “O VALE” - 28/11/2015