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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Missão ASTER - Blog Entrevista o Dr. Othon Winter, Um dos Lideres da Missão


Logo da Missão ASTER.
                                                             
                                                            
Dando sequencia a série de entrevistas com personalidades das atividades espaciais brasileiras , trazemos agora para você a nossa ultima entrevista do ano, esta com um dos mais extraordinários e visionários cientistas espaciais deste país.

Trata-se do Dr. Othon Cabo Winter, professor da área de Astronomia e de Engenharia Espacial da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) de Guaratinguetá, e um dos lideres da mais ambiciosa e extraordinária missão espacial já surgida no Brasil, ou seja, a Missão ASTER.

Nesta entrevista o Dr. Othon Winter nos faz um relato esclarecedor sobre todos os aspectos desta missão e de suas implicações científicas, tecnológicas e estratégicas para o Brasil. Vale a pena dar uma conferida e ficar atento ao desenrolar desta importante missão para o futuro de nosso Programa Espacial.

Desde já agradecemos a atenção dispensada pelo Dr. Othon Winter ao nosso modesto Blog, e desejamos a ele e a todos os envolvidos sucesso com esta missão. Só nos resta agora esperar e torcer muito para que esses fantásticos pesquisadores consigam os recursos necessários para tirarem esta missão do papel e assim colocarem o Brasil entre aqueles países que realizam pesquisas em espaço profundo (EUA, Rússia, Japão, China, Índia e ESA- Agencia Espacial Europeia). 


Avante Missão ASTER

                                                              
                                                              Dr. Othon Cabo Winter

Dr. Othon, por gentileza para aqueles leitores do Blog que ainda não o conhece nos fale um pouco sobre o senhor, sua idade, formação, onde nasceu e desde quando é professor na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP)?

DR. OTHON CABO WINTER: Tenho 52 anos, nasci em São Paulo, sou graduado pela UNESP de Rio Claro, mestre pelo ITA e doutor pela Universidade de Londres. Atuo nas áreas de astronomia e engenharia espacial. Sou professor da UNESP de Guaratinguetá desde 1987.

Dr. Othon, muito tem se falado na mídia sobre uma missão espacial a um asteroide do Sistema Solar ao qual o senhor é um dos envolvidos, ou seja, a sonda espacial da Missão ASTER. Como surgiu a ideia de se realizar uma missão como esta num país onde o apoio governamental para atividades espaciais é reconhecidamente difícil?


DR. OTHON WINTER: A motivação desta proposta veio da falta de reconhecimento por parte da sociedade brasileira, principalmente de seus dirigentes, da importância que a área espacial deve ter em um país de dimensões continentais como o nosso. A partir desta constatação surgiu a proposta de uma missão espacial que pudesse tentar contribuir para reverter este quadro.

                                      
                                          Concepção Artística da sonda da Missão ASTER


Dr. Othon, quais são os objetivos desta missão?

DR. OTHON WINTER: Esta missão envolve a construção de uma pequena sonda espacial para explorar um sistema triplo de asteroides, e se baseia em três pilares: tecnológico, científico e estratégico.

- TECNOLÓGICO: criar oportunidades para o desenvolvimento de certas tecnologias, e mais do que isto, permitir que tecnologias que já vem sendo desenvolvidas há décadas no Brasil tenham possibilidade de serem testadas em voo. Em especial, podemos citar o caso dos propulsores iônicos que vem sendo desenvolvidos no INPE e na UNB.

- CIENTÍFICO: possibilitar que o Brasil lidere descobertas científicas de grande impacto junto a comunidade internacional. Dentre os temas científicos mais relevantes estão:

I) a compreensão da estrutura interna de asteroides, o que pode ser fundamental na definição de estratégias de proteção da Terra na eventualidade de um destes tipos de objetos serem observados em rota de colisão com o nosso planeta.

II) a composição destes tipos de asteroide, o que pode nos ajudar a compreender a origem da água e da vida na Terra, tendo em vista que estes objetos são considerados atualmente como fortes candidatos a terem entregue a maior parte da água que temos na Terra, e  também podem ter trazido elementos orgânicos elaborados que deram origem à vida em nosso planeta.

- ESTRATÉGICO: colocar o Brasil em destaque no cenário internacional, tendo em vista que será a primeira missão espacial na história a explorar um sistema triplo de asteroides. Ao longo de todas as etapas da missão serão desenvolvidos materiais didáticos e de divulgação que serão disseminados junto a professores, estudantes e ao publico em geral. Isto deve produzir um impacto necessário junto a sociedade brasileira, para passar a valorizar as atividades espaciais. Em especial, isto também deve incentivar jovens estudantes a seguir carreiras científicas e tecnológicas.

Dr. Othon, quantas instituições estão envolvidas com a missão e quais são elas?

DR. OTHON WINTER: No momento são 16 instituições no Brasil: INPE, UNESP, UNB, UFABC, USP, UNICAMP, UFRJ, ON, UFPr, Ins. Mauá, ITA, UEFS, UFF, UFRB, CEFET-MG, UFSC.

Dr. Othon, quantos pesquisadores brasileiros (e estrangeiros se for o caso) aproximadamente estarão envolvidos com esta missão?

DR. OTHON WINTER: Não tenho o número preciso, mas certamente são mais de 50 só no Brasil.

Dr. Othon, quantos e quais são os experimentos que serão realizados pela sonda?

DR. OTHON WINTER: Em princípio estão previstos 4 equipamentos para explorar os asteroides (câmera imageadora, espectrômetro infravermelho próximo, altímetro laser e espectrômetro de massa), e dois conjuntos de experimentos para serem realizados ao longo da jornada entre a Terra e os asteroides, sendo um de astrobiologia e um pacote de experimentos de plasmas.

Dr. Othon, já existe uma previsão de lançamento para esta sonda espacial e de onde e qual lançador será utilizado?

DR. OTHON WINTER: O local de lançamento e o lançador ainda não foram definidos, mas a previsão de lançamento é 2021.

Dr. Othon, qual a previsão do tempo de voo até chegar ao asteroide triplo 2001 SN263?

DR. OTHON WINTER: A estimativa está em torno de 20 meses.


                                                       Gráfico da Missão ASTER


Dr. Othon de onde será realizado o controle da missão?

DR. OTHON WINTER:  Ainda não está definido

Dr. Othon em sua opinião quais os benefícios que a realização de uma missão como esta poderá trazer para o Brasil em médio e longo prazo?

DR. OTHON WINTER: Como disse anteriormente, esta missão foi concebida de modo a fomentar uma mudança de visão da sociedade brasileira com relação a relevância da área espacial para o nosso país. A expectativa é que após esta missão o Brasil passe a ter um projeto arrojado para a área espacial, condizente com o porte do nosso país. E que este seja um projeto de Estado, não de um governo, e ainda que os brasileiros tenham orgulho das atividades espaciais desenvolvidas pelo Brasil.

Dr. Othon, em julho deste ano durante a realização da “7ª Cúpula dos BRICS”, na Rússia, a presidenta DILMA ROUSSEFF andou dizendo que uma das prioridades importantes na relação bilateral com a Rússia era a adesão à esta Missão ASTER. O que de concreto e de real isto significa?

DR. OTHON WINTER: Com este posicionamento explícito do governo brasileiro, entendemos que teremos o apoio necessário para o desenvolvimento e execução da missão ASTER.

Dr. Othon,  como o senhor avaliaria o atual estágio de desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro?

DR. OTHON WINTER: Entendo que não estamos parados, existem projetos e programas sendo desenvolvidos. Porém, para um pais como o Brasil (com suas dimensões, necessidades e posição a ser ocupada no cenário mundial) precisamos de muito mais, e temos o dever de ampliar urgentemente o Programa Espacial Brasileiro.


                       O saudoso Dr. Paulo Moraes Jr., eu e o Dr. Othon Cabo Winter
                          no evento de lançamento do documento 
“A Visão da AAB
                              para o Programa Espacial Brasi
leiro” - Dez de 2010.

Finalizando Dr. Othon, o senhor teria algo a mais a acrescentar para os nossos leitores?

DR. OTHON WINTER: O Brasil pode e deve ter um Programa Espacial arrojado, compatível com uma grande nação, que é o que todos nós queremos. A área espacial pode ser uma mola propulsora para o despertar de carreiras científicas e tecnológicas, afetando positivamente a educação do país. Além disto, a área espacial permite desenvolvimentos tecnológicos e a produção de riquezas de alto valor agregado, gerando empregos qualificados e elevando o padrão de vida da sociedade.